Assimetria de informação é um conceito clássico da economia e da teoria das organizações. Ela ocorre quando partes envolvidas em uma decisão possuem níveis diferentes de informação relevante, o que distorce escolhas, incentivos e resultados. No ambiente empresarial, esse fenômeno não se limita a mercados ou negociações externas. Ele também se manifesta dentro da própria empresa – inclusive na forma como os riscos são percebidos e administrados.
No campo dos seguros empresariais, a assimetria de informação assume uma característica particular. Em muitas organizações, existe uma distância significativa entre o que a empresa acredita estar protegido e o que efetivamente está coberto por suas apólices. Essa diferença não decorre, na maioria dos casos, de negligência ou má-fé, mas de complexidade técnica, linguagem contratual especializada e ausência de integração entre seguros e o processo decisório.
Na prática, gestores tomam decisões estratégicas partindo de premissas implícitas: “isso está segurado”, “esse risco foi transferido”, “em um evento extremo, haverá cobertura”. Quando essas premissas não correspondem à realidade contratual – limites insuficientes, exclusões relevantes, condições restritivas ou apólices desconectadas entre si – a decisão original já nasce distorcida. O problema só se revela no momento do sinistro, quando não há mais espaço para ajuste.
Esse tipo de assimetria gera uma falsa sensação de controle. A empresa acredita operar em um ambiente de risco conhecido e delimitado, quando, na verdade, carrega exposições relevantes dentro do próprio balanço. O efeito não é apenas financeiro. Ele afeta a governança, a alocação de capital e o comportamento gerencial. Projetos podem ser aprovados com base em proteção inexistente. Contratos podem ser firmados sem garantias adequadas. Expansões podem ocorrer sem avaliação realista das perdas potenciais.
Do ponto de vista da gestão, isso significa que o seguro mal compreendido não é neutro. Ele interfere diretamente na qualidade das decisões. Diferentemente de outros riscos operacionais, que costumam ser monitorados por indicadores objetivos, a proteção securitária muitas vezes permanece no campo das suposições. Quanto maior a complexidade da operação, maior o impacto dessa lacuna informacional.
Reduzir a assimetria de informação em seguros não significa transformar gestores em especialistas técnicos, nem transferir a leitura integral das apólices para o nível executivo. Significa traduzir riscos, limites e condições em linguagem compatível com a gestão. Significa alinhar percepção e realidade antes da tomada de decisão, e não depois de um evento adverso.
Quando os seguros são integrados ao processo de gestão de riscos e ao planejamento estratégico, eles deixam de ser um elemento opaco e passam a cumprir sua função real: dar previsibilidade às consequências financeiras de eventos indesejados. Isso não elimina riscos, mas permite que a empresa saiba exatamente quais está assumindo conscientemente e quais está transferindo.
Nesse contexto, o papel da corretora é decisivo. Não como simples intermediária de contratação, mas como agente de redução de assimetria informacional. Traduzir contratos, antecipar impactos, apontar lacunas e alinhar cobertura com decisões estratégicas é o que transforma o seguro de um item operacional em um instrumento de governança.
Na SICCS, essa atuação parte de um princípio claro: decisões empresariais não deveriam ser tomadas com base em suposições sobre proteção. Seguro bem estruturado é aquele que reduz incerteza informacional e permite que a gestão decida com clareza, consciência e responsabilidade.
Fontes
www.cnseg.org.br
www.susep.gov.br
www.valor.globo.com
www.diariodocomercio.com.br
www.investopedia.com
www.coso.org
www.iso.org
www.hbr.org
www.oecd.org

