Seguro não evita catástrofes. Então por que ele pode tornar um país mais resiliente?
"Quando uma enchente destrói casas e empresas, uma tempestade compromete a infraestrutura de uma cidade ou uma seca provoca perdas em larga escala, o seguro não consegue impedir que nada disso aconteça. Mas a capacidade de uma sociedade de se recuperar também depende de como as perdas serão absorvidas depois do desastre."
Uma catástrofe pode destruir patrimônio em poucas horas, interromper atividades produtivas e exigir recursos extraordinários de famílias, empresas e governos. Quando parte relevante dessas perdas está segurada, já existe um mecanismo estruturado para transferir recursos aos atingidos e financiar a reconstrução. Quando não está, a conta permanece com quem sofreu o dano ou, em muitos casos, acaba chegando ao poder público.
A diferença entre as perdas econômicas provocadas por um desastre e aquilo que efetivamente estava coberto por seguros é conhecida internacionalmente como protection gap, ou lacuna de proteção. Um país pode, portanto, estar bastante exposto a catástrofes não apenas pela frequência ou intensidade dos eventos, mas também pela capacidade financeira disponível para enfrentá-los depois que acontecem.
No Brasil, essa discussão ganhou importância com o aumento dos impactos provocados por eventos climáticos extremos. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) criou um grupo de trabalho específico para seguros-catástrofe, encarregado de estudar alternativas regulatórias e legais capazes de ampliar a resiliência do país diante desses eventos.
Não se trata simplesmente de criar uma nova modalidade de apólice. Catástrofes podem atingir milhares de segurados ao mesmo tempo, concentrar perdas em uma região e gerar indenizações muito superiores às observadas em situações convencionais. Absorver impactos dessa dimensão exige capacidade financeira, resseguro, diversificação geográfica e mecanismos que permitam distribuir as perdas entre diferentes agentes e mercados.
Esse raciocínio também vale para cada empresa. Os efeitos de uma catástrofe não terminam nos danos físicos causados a prédios, máquinas, estoques ou veículos. Uma operação pode perder receita enquanto permanece paralisada, enfrentar despesas extraordinárias para retomar suas atividades, deixar de cumprir contratos ou ter dificuldades para atender clientes. Dependendo da duração e da intensidade do evento, o impacto chega ao caixa e pode comprometer investimentos e outras obrigações assumidas antes do desastre.
E nem é necessário que a empresa seja diretamente atingida. Um fornecedor essencial pode interromper a produção, uma rodovia pode ficar bloqueada, o fornecimento de energia pode ser comprometido ou determinada região pode permanecer inacessível durante dias. Por isso, avaliar a exposição a catástrofes exige olhar além dos próprios ativos e entender de quais estruturas, fornecedores e serviços a continuidade do negócio depende.
Seguro e prevenção, portanto, cumprem papéis complementares. Infraestrutura, planejamento urbano, sistemas de alerta, manutenção, planos de continuidade e medidas de adaptação podem reduzir vulnerabilidades. O seguro entra na parcela do risco que permanece e oferece capacidade financeira para responder quando a prevenção não foi suficiente para evitar a perda.
É nesse sentido que um mercado segurador desenvolvido contribui para a resiliência econômica. O seguro não impede a chuva, o incêndio, a seca ou a tempestade, mas pode acelerar a reconstrução, preservar recursos de famílias e empresas e evitar que todo o impacto financeiro permaneça concentrado justamente sobre quem já sofreu as consequências do desastre.
Na SICCS, entendemos que proteger não significa prometer que o risco deixará de existir. Significa conhecê-lo, reduzi-lo quando possível e preparar respostas para aquilo que não pode ser eliminado. Diante de uma catástrofe, essa preparação pode fazer diferença não apenas no tamanho da perda, mas no tempo necessário para voltar a funcionar.
Referências
www.gov.br/susep
www.cnseg.org.br
www.gov.br/fazenda
www.swissre.com
www.munichre.com
Como as empresas voltarão a operar no Rio Grande do Sul?
Entenda o que é um Plano de Continuidade de Negócios.
Diante da devastação que todos testemunhamos com as enchentes históricas no Rio Grande do Sul - na qual, claro, a maior perda é a de vidas e histórias pessoais - é plausível que também surja, na mente dos empreendedores, a seguinte pergunta: como as empresas que operavam na região poderão se recuperar? A resposta é mais um aprendizado que se pode tirar dessa triste tragédia.
Trata-se do que o mercado chama de Plano de Continuidade de Negócios (PCN), um documento detalhado que descreve o que, e como, uma organização deve fazer para continuar operando durante e após uma interrupção inesperada - como a catástrofe natural que se abateu sobre o Rio Grande do Sul. O objetivo principal de um PCN é minimizar o impacto de desastres como esse e garantir que as operações críticas possam ser mantidas ou rapidamente retomadas.
Entre os benefícios de um bom PCN estão a resiliência organizacional (resistência que permite à empresa continuar operando), a proteção de dados (minimizando a perda e exposição de informações sensíveis), a confiança do cliente (pela demonstração de que a empresa está preparada para lidar com emergências) e a conformidade legal (porque há exigências regulamentadas de medidas de continuidade).
Veja, a seguir, alguns elementos fundamentais de um PCN:
- Análise de Impacto nos Negócios (BIA)
• Identificação de funções críticas - Determina quais processos são essenciais para as operações da empresa;
• Impacto de interrupções - Avalia as consequências de interrupções em diferentes áreas da empresa;
• Tempo de recuperação necessário - Define quanto tempo uma função pode ficar fora do ar antes de causar impacto significativo;
• Objetivos de ponto de recuperação - Especifica a quantidade máxima de dados que a empresa está disposta a perder.
- Estratégias de Recuperação
• Recuperação de TI - Planos para restaurar sistemas de TI, dados e redes;
• Operações alternativas - Procedimentos para mover operações para um local alternativo se o local principal for inacessível;
• Comunicação - Estratégias para manter comunicação com colaboradores, clientes e fornecedores durante uma interrupção.
- Planos de Resposta a Incidentes
• Procedimentos de emergência - Instruções claras sobre o que fazer imediatamente após um incidente;
• Equipe de resposta a incidentes - Lista de pessoas responsáveis por executar o PCN, com detalhes de contato e responsabilidades específicas;
• Protocolos de comunicação - Diretrizes sobre como e quando comunicar incidentes e atualizações para partes interessadas internas e externas.
- Testes e Manutenção
• Testes regulares - Programação de testes para garantir que o plano funcione conforme esperado;
• Atualizações e revisões - Processos para revisar e atualizar o plano regularmente, refletindo mudanças na organização ou no ambiente externo;
• Treinamento - Programas de treinamento para colaboradores sobre suas responsabilidades no plano de continuidade.
- Documentação de Suporte
• Recursos e contatos - Lista de recursos necessários, como fornecedores alternativos e contatos de emergência;
• Mapas de infraestrutura - Diagramas das instalações e sistemas críticos;
• Contratos e acordos - Documentos relevantes, como contratos de fornecedores de recuperação e seguros.
Vale reforçar: o PCN deve ser regularmente revisado e testado para garantir sua eficácia, pois trata-se de um instrumento vital da gestão de riscos e da resiliência organizacional, garantindo que a empresa possa superar e prosperar após eventos inesperados.
No momento oportuno, falaremos mais sobre gestão de riscos e contratação de seguros, elementos fundamentais de um PCN adequado. Mas você pode discutir esses conceitos e sua aplicação prática com nossos especialistas na hora que quiser. O melhor que se pode fazer diante de uma tragédia já consumada é aprender com ela.
Fontes
www.fia.com.br
www.abrasco.org.br
www.welcome.atlasgov.com
www.iso27000.com.br
www.cnnbrasil.com.br
www.portal.tcu.gov.br
Gestão de riscos: a primeira linha de defesa
O aprendizado que pode vir do Rio Grande do Sul.
“Aquecimento global” e “mudança climática” são conceitos que precisam ser considerados com seriedade, mas não aceitos ou mencionados de forma acrítica. Do modo como vêm sendo tratados por boa parte de veículos informativos e/ou formadores de opinião, ambos os termos passaram a fazer parte de uma espécie de galeria de “fatores estruturais”: algo que está sempre lá e influencia tudo que acontece na realidade, mesmo que “não pareça” ou que não saibamos explicar exatamente “como”.
Este tipo de premissa é considerado falso por intelectuais bastante respeitáveis – e, diga-se de passagem, que tudo que alguém exige que se aceite sem discussão já precisa ser visto com desconfiança por quem deseja exercer uma cidadania consciente. Assim, a tragédia que se abateu sobre nossos irmãos brasileiros no Rio Grande do Sul pode ser considerada, sim, uma catástrofe natural, mas não uma “tragédia climática”.
Primeiro, porque a palavra “clima” se refere a fenômenos de longo prazo, não necessariamente a pontos fora da curva que acontecem em momento e contexto específicos. Segundo, porque, para que a tragédia seja racional e tecnicamente atribuída à emissão de gases resultantes da atividade humana, é preciso demonstrar a causalidade, algo que está longe de acontecer de forma madura devido ao caráter recente dos acontecimentos. Há quem diga até que o desastre era, em grande medida, previsível, mas isso é bastante diferente de saber explicar suas causas.
Porém, se há uma lição que podemos aprender agora, imediatamente, com a triste devastação que todos temos visto na televisão e na Internet diariamente, é a importância da gestão de riscos. Parece razoável dizer que certas instâncias governamentais, ao menos em certas regiões do país, precisam urgentemente conhecer e pôr em prática esse conceito, minimizando os efeitos de desastres que agora lamentam publicamente e frente aos quais soam impotentes. A seguir, exploramos o tema de mais de uma perspectiva, abrangendo as esferas pública e privada.
Importância da gestão de riscos
A gestão de riscos é essencial para identificar, avaliar e mitigar os impactos potenciais de catástrofes naturais. Este processo envolve a análise dos diversos riscos que podem afetar a comunidade e as empresas e a implementação de estratégias para minimizar esses impactos. A gestão eficaz dos riscos não só protege o patrimônio público e os ativos da empresa, mas também promove a segurança de cidadãos e colaboradores, assim como a normalidade social do cotidiano (esfera pública) e a continuidade das operações (esfera privada).
Continuidade de negócios e resiliência organizacional
Um plano de continuidade de negócios (PCN) é fundamental para assegurar que uma empresa possa continuar operando mesmo após a ocorrência de uma catástrofe natural. Este plano deve incluir procedimentos detalhados sobre como responder a diferentes tipos de desastres, desde tempestades e inundações até terremotos e incêndios florestais. O PCN deve ser regularmente revisado e testado para garantir sua eficácia. É indispensável que o poder público tenha um plano equivalente para a comunidade (que, claro, não será “de negócios”, mas uma das atribuições das instituições de Defesa Civil).
Diferenças entre riscos seguráveis e não-seguráveis
Quando se trata de catástrofes naturais, é importante distinguir entre riscos seguráveis e não-seguráveis. Riscos seguráveis são aqueles que podem ser cobertos por uma apólice de seguros, como danos materiais e interrupção de negócios devido a eventos específicos. Já os riscos não-seguráveis são aqueles que não podem ser facilmente cobertos por seguros tradicionais, como perdas de mercado ou danos à reputação da empresa. Compreender essa diferença é crucial para a elaboração de uma estratégia abrangente de gestão de riscos.
Seguros adequados para proteger o seu negócio
Um programa de seguros adequado é parte vital da preparação para catástrofes naturais. Este programa deve ser cuidadosamente estruturado para cobrir todos os riscos seguráveis identificados na análise de risco. Além disso, é importante trabalhar com uma corretora de seguros experiente, que possa ajudar a encontrar as melhores apólices e coberturas. Um bom programa de seguros oferece uma rede de segurança financeira que pode ser crucial para a recuperação após um desastre.
Sintetizando...
Preparar-se para catástrofes naturais é uma responsabilidade crítica para qualquer governo e empresa. Por meio de uma gestão de riscos eficaz, da implementação de um plano de continuidade de normalidade social e de negócios, da compreensão dos riscos seguráveis e não-seguráveis e da criação de um programa adequado de seguros, comunidades e empresas podem aumentar sua resiliência e capacidade de recuperação. Investir tempo e recursos nessas áreas não é apenas uma medida de precaução, mas uma estratégia essencial para garantir a sustentabilidade e o sucesso a longo prazo, tanto da gestão pública quanto da gestão do negócio.
Podemos ajudar
A SICCS tem o preparo técnico, a experiência e a visão de global que permitem identificar e indicar as melhores soluções de seguro para episódios como esse que vem mobilizando o Brasil. Informar sobre as possibilidades de proteção e disponibilizar nossa expertise também são formas de nos solidarizar com todos que vêm sofrendo, direta e indiretamente, com os fatos.
Para saber como ajudar o Rio Grande do Sul com doações, veja a matéria anterior, aqui mesmo em nosso blog.
Fontes
www.fia.com.br
www.abrasco.org.br
www.estado.rs.gov.br
www.agenciabrasil.ebc.com.br
www.portal.tcu.gov.br




