Trabalho híbrido e seguro empresarial.

Em 2025, o trabalho híbrido não é mais uma tendência passageira - tornou-se a norma para muitas empresas ao redor do mundo. A flexibilidade de combinar o trabalho presencial com o remoto trouxe benefícios, como maior satisfação dos funcionários e redução de custos operacionais. No entanto, essa nova realidade também introduziu riscos que muitas empresas ainda não estão preparadas para enfrentar. De acidentes em home office a questões de cibersegurança e responsabilidade trabalhista, o ambiente híbrido exige uma abordagem atualizada para os seguros empresariais.

Neste blog, exploraremos como o seguro empresarial pode proteger sua equipe no modelo híbrido e o que você precisa considerar para garantir a segurança do seu negócio ainda em 2025 – e além.

Os desafios do trabalho híbrido para as empresas

O modelo híbrido transformou a forma como as empresas operam, mas também trouxe desafios únicos. Um estudo recente da Gartner indica que 74% das empresas planejam manter o trabalho híbrido como parte permanente de suas operações.

Alguns dos principais desafios incluem:

  • Acidentes em home office - Um funcionário que escorrega em casa enquanto trabalha ou sofre uma lesão ergonômica devido a uma cadeira inadequada pode gerar questões legais. A linha entre o ambiente de trabalho e o pessoal ficou mais tênue, complicando a definição de responsabilidade.
  • Segurança de equipamentos - Laptops, tablets e outros dispositivos fornecidos pela empresa agora são usados em redes domésticas, aumentando o risco de danos, roubos ou falhas de segurança.
  • Cibersegurança - O uso de dispositivos pessoais ou redes Wi-Fi não seguras em casa eleva a vulnerabilidade a ataques cibernéticos, como phishing ou malware.
  • Questões trabalhistas - Disputas relacionadas a horas-extras, discriminação ou assédio podem surgir em ambientes híbridos, especialmente se as políticas da empresa não estiverem claras.

Como o seguro empresarial pode proteger sua equipe

Os seguros empresariais tradicionais foram desenhados para ambientes de trabalho físicos, mas as seguradoras estão se adaptando rapidamente para atender às demandas do modelo híbrido. Aqui estão algumas coberturas essenciais que sua empresa deve considerar:

  1. Seguro de Acidentes de Trabalho Adaptado

O seguro de acidentes de trabalho (ou seguro de responsabilidade do empregador) precisa ser atualizado para cobrir incidentes que ocorram fora do escritório. Algumas seguradoras já oferecem cláusulas específicas para home office, cobrindo desde lesões ergonômicas até acidentes domésticos relacionados ao trabalho.

Dica prática - Converse com seu corretor para garantir que a apólice inclua cobertura para acidentes em home office e defina claramente o que constitui um "ambiente de trabalho" remoto.

  1. Seguro de Propriedade para Equipamentos

Um seguro de propriedade empresarial pode cobrir danos ou roubos de laptops, monitores e outros equipamentos fornecidos aos funcionários, mesmo fora do escritório. Algumas apólices também incluem proteção contra falhas causadas por picos de energia em residências.

Dica prática - Faça um inventário dos equipamentos fornecidos aos funcionários e verifique se a apólice cobre perdas em locais fora da empresa.

  1. Ciberseguro para Redes Domésticas

Com funcionários acessando sistemas corporativos de redes Wi-Fi domésticas, o risco de ataques cibernéticos aumentou. Um ciberseguro pode proteger contra perdas causadas por violações de dados, ransomware ou interrupções de negócios devido a falhas de segurança em dispositivos remotos.

Dica prática - Escolha uma apólice que inclua cobertura para dispositivos pessoais usados para fins corporativos e treinamento de funcionários sobre práticas de cibersegurança.

  1. Seguro de Responsabilidade Civil Geral

Questões trabalhistas, como alegações de discriminação ou assédio, podem surgir em ambientes híbridos, especialmente em interações virtuais. Um seguro de responsabilidade civil geral pode cobrir custos legais associados a essas disputas, protegendo a empresa contra processos.

Dica prática - Certifique-se de que a apólice cubra incidentes relacionados a comunicações virtuais, como e-mails ou chamadas de vídeo.

Por que atualizar sua apólice agora?

A realidade do trabalho híbrido exige que as empresas reavaliem suas apólices de seguro para evitar lacunas de cobertura. Um relatório da Marsh de 2024 apontou que 60% das pequenas e médias empresas ainda não ajustaram seus seguros para o modelo híbrido, deixando-as vulneráveis a riscos financeiros significativos.

Além disso, as regulamentações trabalhistas estão evoluindo, e países como o Brasil estão começando a esclarecer as responsabilidades das empresas em relação ao home office. Atualizar sua apólice agora pode evitar dores de cabeça no futuro.

Passos para escolher o seguro certo

  1. Avalie os riscos da sua empresa - Identifique os riscos específicos do seu modelo híbrido.
  2. Consulte um corretor especializado - Um especialista pode ajudar a personalizar uma apólice que cubra os riscos do trabalho híbrido, incluindo cláusulas específicas para home office.
  3. Revise as políticas da empresa - Certifique-se de que suas políticas internas sobre trabalho remoto estejam alinhadas com as exigências da apólice, como diretrizes para uso de equipamentos e segurança de dados.
  4. Eduque sua equipe - Ofereça treinamentos sobre ergonomia, cibersegurança e conformidade com políticas da empresa para reduzir riscos.

Prepare sua empresa para o futuro

O trabalho híbrido veio para ficar, e com ele vieram novos desafios que exigem uma abordagem proativa para a gestão de riscos. Um seguro empresarial bem adaptado pode proteger sua equipe, seus ativos e sua reputação, garantindo que sua empresa prospere em 2025 e além. Nem é preciso dizer que a SICCS é sua parceira na superação de mais esse desafio. Entre em contato com nossa equipe para discutirmos como adaptar sua apólice ao modelo híbrido. Assim você protege seus colaboradores e seu negócio contra os riscos do trabalho do futuro - que já chegou.

 


Planos de saúde e judicialização.

Quando o contrato vira motivo de disputa

No Brasil, milhões de pessoas dependem de planos de saúde para tratamento e bem-estar. Porém, o cenário recente demonstra que muitas operadoras estão enfrentando um volume crescente de ações judiciais — muitas vezes relacionadas a serviços que já deveriam ser garantidos.

Judicialização em números: um aumento exponencial

No 1º trimestre de 2025, as operadoras gastaram R$ 3,9 bilhões com despesas judiciais, contra R$ 1,2 bilhão no mesmo período de 2020. Isso representa mais que o triplo em 5 anos, saltando de 0,65% para 1,49% das despesas assistenciais. A maior parte dessas ações envolve justamente procedimentos que, em tese, já estavam contratualmente previstos.

A maior parte das ações trata de cobertura de procedimentos já contratados

Segundo mais de um levantamento, 62% dessas despesas judiciais envolvem tratamentos que deveriam estar previamente autorizados nos contratos. Outro dado relevante: 65% das ações contra operadoras referem-se à negativa de cobertura assistencial, principalmente em casos de cirurgias (51%) e medicamentos (12%).

Queixas em alta: volume nunca antes visto

As reclamações registradas na ANS por negativa de cobertura saltaram de 61,5 mil em 2014 para 292 mil em 2023 — alta de 374% em dez anos. E esse número continua a crescer: de janeiro a abril de 2024, foram 104 mil queixas, um aumento de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Por que os planos negam a cobertura?

Boa parte das negativas se baseia em justificativas como:

  • O procedimento não consta no rol da ANS
  • Não há previsão expressa no contrato
  • Falta de autorização regulatória
  • Condições clínicas não atendidas

Mesmo após a aprovação da Lei 14.454/2022, que ampliou a interpretação do rol da ANS (tornando-o uma referência, e não um limite absoluto), muitas operadoras ainda mantêm uma leitura restritiva, o que acaba judicializando demandas que poderiam ser resolvidas de forma administrativa.

Consequências para o sistema

O aumento das ações judiciais tem reflexos diretos sobre o setor. Além dos altos custos, existe o risco de repasse desses valores aos consumidores, por meio de reajustes. O Judiciário, por sua vez, também sofre com a sobrecarga de milhares de processos que tratam, em muitos casos, de direitos já contratados e reconhecidos.

Esse cenário afeta não só os usuários, mas também as operadoras que tentam manter boas práticas. O ambiente de insegurança jurídica e a desconfiança generalizada prejudicam o equilíbrio entre a oferta de serviços e a sustentabilidade econômica.

Conclusão

A judicialização da saúde suplementar no Brasil é um reflexo de falhas em contratos, regulação e práticas gerenciais. Quando tratamentos contratados são negados com base em critérios administrativos rígidos, o Judiciário se torna o único caminho para muitos usuários — elevando os custos e gerando desgastes.

É possível reverter essa tendência com regulação eficaz, contratos mais claros e canais administrativos sólidos, que priorizem a saúde e os direitos do paciente. A busca por equilíbrio é difícil, mas necessária. Um cenário operacional pragmático e ético - sem vilões nem mocinhos - é o melhor que pode acontecer para a saúde das pessoas. E para a reputação do setor.

 

Fontes
https://economia.uol.com.br
https://www.conjur.com.br
https://noticias.uol.com.br/
https://www.camara.leg.br
https://www.rhnoticias.com.br