O resultado de uma eleição presidencial pode começar a produzir efeitos sobre as empresas antes mesmo da posse do novo governo. Expectativas sobre juros, tributação, crédito e regulamentação influenciam decisões de investimento, contratação e planejamento financeiro. Algumas empresas preferem aguardar definições; outras antecipam decisões para evitar condições que consideram desfavoráveis. Em ambos os casos, a percepção de risco já está interferindo nos negócios, embora o cenário que a motivou ainda não tenha se concretizado.

As eleições de 2026 acontecem em um ambiente econômico que exige atenção. O Fundo Monetário Internacional projeta crescimento de 2,2% para o país neste ano e de 1,9% em 2027, enquanto as condições de financiamento e a trajetória das contas públicas permanecem entre os fatores relevantes para as decisões empresariais. A disputa eleitoral acrescenta uma variável a esse quadro, pois seu desfecho pode influenciar as expectativas sobre a condução da economia nos próximos anos.

Continuidade ou mudança são possibilidades com implicações distintas, mas nenhuma delas elimina a necessidade de avaliar riscos. A permanência de uma orientação política não significa que as condições econômicas permanecerão inalteradas. Da mesma forma, uma mudança de governo não determina, por si só, instabilidade ou ruptura. Para as empresas, o que importa é identificar quais decisões e condições de operação podem ser afetadas pelas políticas que vierem a ser adotadas.

A reforma tributária oferece um exemplo de como essa análise deve funcionar. Sua implementação envolve mudanças em sistemas de faturamento, processos contábeis, contratos e procedimentos fiscais. Essas adaptações decorrem de regras e cronogramas já estabelecidos, independentemente do resultado eleitoral. Entretanto, as empresas também precisam acompanhar possíveis alterações regulamentares e seus efeitos sobre custos, preços e obrigações. Adiar providências necessárias apenas na expectativa de mudanças políticas pode criar dificuldades operacionais que poderiam ter sido evitadas.

Há situações semelhantes em outros setores. Empresas que dependem de financiamento para expandir suas atividades precisam considerar o custo do crédito. Negócios com contratos de longo prazo devem examinar cláusulas de reajuste e compromissos financeiros. Operações expostas ao comércio internacional precisam acompanhar o câmbio e as condições de importação e exportação. A relevância de cada variável depende das características do negócio, e não apenas da conjuntura política.

Há, porém, uma diferença importante entre reconhecer uma exposição e decidir como agir diante dela. A percepção de risco pode levar uma empresa a suspender investimentos que continuariam viáveis ou, no sentido oposto, a assumir compromissos sem avaliar adequadamente suas consequências. Trabalhar com cenários permite examinar essas decisões com maior objetividade, considerando o que aconteceria com receitas, custos e obrigações caso determinadas condições se alterassem.

Essa análise também ajuda a definir o papel dos seguros. Alterações na política econômica ou na legislação não são riscos que uma apólice empresarial convencional possa neutralizar. Entretanto, a proteção do patrimônio, a cobertura de responsabilidades e a preparação para interrupções operacionais continuam necessárias em qualquer cenário político. A revisão dos contratos de seguro deve acompanhar as mudanças efetivas nas atividades e nas exposições da empresa, sem depender exclusivamente das expectativas sobre o próximo governo.

Na SICCS, entendemos que a gestão de riscos precisa acompanhar a realidade dos negócios, inclusive quando ela é marcada por incertezas que ultrapassam o controle dos gestores. O resultado das urnas poderá influenciar decisões e prioridades nos próximos anos, mas a responsabilidade de proteger a empresa permanece a mesma. Preparar-se para diferentes cenários permite atravessar períodos de continuidade ou mudança com maior capacidade de adaptação, sem transformar cada expectativa política em uma aposta sobre o futuro.

Referências:
www.tse.jus.br

www.imf.org
www.bcb.gov.br
www.gov.br/receitafederal
www.siccseguros.com.br