A saúde como protagonista
Se em dezembro de 2019 alguém dissesse que boa parte dos brasileiros iriam utilizar máscaras faciais por quase 2 anos para se proteger de uma infecção transmissível pelas vias respiratórias ninguém acreditaria. Que iríamos parar de nos abraçar e dar beijinhos ao encontrar uma pessoa também….
Hoje essas mudanças, antes impensáveis, continuam sendo uma realidade no nosso dia a dia, e todo mundo, o tempo todo, espera e torce para que essa fase acabe logo, e de vez. Os sinais no horizonte são positivos, mas continuará sendo preciso ter cautela por um bom tempo – pelo menos meses – até que se esboce em nosso cotidiano algo parecido com o “velho normal”. Porque o “novo”, mal batizado na base de um certo conformismo fatalista, ninguém aguenta mais. Mas seguiremos com ele mais um pouco…
É um raciocínio quase clássico, beirando o clichê filosófico, procurar em grandes tristezas e tragédias algum tipo de aprendizado – mas não deixa de ser uma atitude positiva e certamente útil. No caso dos 2 anos que ainda estamos vivendo, uma conclusão possível é de que essa doença traumática trouxe o tema saúde para primeiro plano. Por todo esse tempo, e ainda agora, ela tem sido a protagonista de pautas, reportagens, postagens, repostagens, pensamentos e preocupações.
A doença é ruim e foi devastadora, mas prestar mais atenção à própria saúde e à do próximo pode mesmo ser um aprendizado valioso. Evidentemente, se essa consciência fosse adquirida em outras circunstâncias, muito melhor seria. Mas, como sempre, a realidade se impõe ao ideal, e é com ela que temos de aprender. Meio “de carona” com o problema principal, temas como ansiedade, depressão, bruxismo e muitos outros foram tratados com frequência e profundidade que talvez antes não tivessem.
Não, a covid-19 não nos fez nenhum favor e certamente não precisávamos dela. Mas, a reboque das dores e perdas que tem causado, veio um despertar, um “abrir os olhos” de que o valor primário, fundamental e basilar da vida é a saúde. Não é inédito, mas continua sendo irônico, que essa percepção tenha sido provocada por uma doença.
Nesse último blog de 2021, nossa intenção não é lamentar as perdas que o novo coronavírus provocou e ainda possa vir a provocar – embora isso seja necessário e tenha seu significado.
Ao contrário, nosso desejo é dar ênfase à capacidade de sobreviver, aprender e seguir em frente em meio à reviravolta que esse inimigo microscópico provocou na vida de quase todos. E, também, destacar o quanto é importante que tenhamos “descoberto” a relevância total da saúde. Toda e qualquer conquista “pessoal” e “profissional”, individual e corporativa, virá sempre depois dela.
Aos poucos, tudo parece indicar que estamos vencendo, não sem muitas perdas no caminho. Mas com erros e acertos, alarmismo e lucidez entremeados, a sensação (e a esperança!) é de que, juntos, estamos saindo dessa. Que a consciência sobre o valor da saúde permaneça em todos nós – e se traduza em ações práticas – depois que a doença for embora (pelo menos em seu aspecto epidêmico).
Com essa mensagem ao mesmo tempo “pé-no-chão” e de otimismo e esperança, a SICCS e a SICCS+ Seguros desejam a você um excelente, pleno, próspero, positivo e feliz 2022. Como sempre, conte com a gente ao longo do novo ano.
Ter a saúde como protagonista sempre esteve, e sempre estará, nos nossos planos.
Como combater a gripe
O surto de gripe fora de época está fazendo muita gente correr para postos de saúde e clínicas particulares a fim de se imunizar contra mais esse vírus, que embora seja menos perigoso que o da Covid-19 nunca pode ser subestimado: crianças, idosos, grávidas e pessoas com condições preexistentes podem desenvolver quadros mais graves, às vezes com risco de morte.
Acontece que, diferente do novo coronavírus – uma novidade em termos epidemiológicos – o vírus influenza, causador da gripe, já é nosso velho conhecido e obedece a um certo padrão sazonal. Altamente mutável, todos os anos ele exige que as vacinas sejam adaptadas para que a imunização seja eficiente. E, nesse caso, o Brasil leva vantagem.
Como os casos provocados pelas novas cepas costumam começar no Hemisfério Norte e nosso país está no Hemisfério Sul, em região tropical, o intervalo de alguns meses até que a doença chegue com força por aqui é suficiente para que se desenvolvam vacinas eficientes para o “vírus da vez”, ou seja, a cepa do ano corrente. E é essa vacina que é disponibilizada gratuitamente no SUS, durante uma campanha de vacinação anual com começo meio e fim, que em 2021 já terminou.
E por que o surto que algumas regiões do Brasil vivem agora é fora de época? Porque estamos na estação mais quente, o normal é que ele aconteça nas nossas estações mais frias, e estima-se que os cuidados para evitar a transmissão da Covid-19 (uso de máscaras, distanciamento, higienização das mãos etc.) tenham evitado também, no período típico de 2021, o surto provocado pela cepa surgida no ano passado, para o qual as vacinas hoje disponíveis são eficazes.
Ou seja, os casos de gripe que poderiam ser evitados pelas vacinas da campanha de 2021 não aconteceram no número usual porque, ao se proteger com as medidas indicadas contra a Covid-19, as pessoas acabaram se protegendo contra o vírus influenza, e agora que os cuidados relaxaram, porque a pandemia perdeu intensidade no Brasil, ficaram expostas ao vírus da gripe do ano que vem, para o qual ainda não temos vacinas eficazes.
Isso significa que é inútil tomar as vacinas antigripe já disponíveis? Não necessariamente. É provável que as duas cepas ainda estejam atuando simultaneamente em território brasileiro. Mas tomar a vacina da campanha de 2021 – que já terminou e por isso não é mais gratuita – não deve evitar que a pessoa se contamine com a cepa que está chegando, para a qual a vacinação será daqui a alguns meses (porque as vacinas estão em desenvolvimento).
Como todos sabem e vêm vivenciando há praticamente 2 anos, a pandemia mudou o curso de muitas coisas, “bagunçando” até o que se pode chamar de calendário epidemiológico, que orienta ações de saúde pública. Mas há uma informação útil e altamente aproveitável nesse quadro: para quem quiser evitar contrair a gripe que está provocando o atual surto, a melhor linha de ação para se precaver é manter as mesmíssimas medidas não farmacológicas recomendadas contra a Covid-19: distanciamento social, higienização das mãos, uso de máscaras (sim, mais um pouco).
Como a pandemia ainda não acabou e o perigo da variante ômicron ainda está sendo entendido, esse jeito responsável de agir acaba protegendo quem o praticar do risco de duas doenças que estão acontecendo simulteaneamente e têm muitos sintomas parecidos.
As mesmas medidas, contra 2 inimigos: qualquer pessoa há de concordar que se trata de uma estratégia com excelente custo-benefício.
Fontes
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude
https://vejasp.abril.com.br/saude
https://g1.globo.com/saude
A importância do olhar
O tema “olhar” pode parecer poético, e até ser, em certos contextos, mas essa capacidade ligada a um dos nossos sentidos – talvez o principal deles, a visão – tem um impacto sobre o dia a dia muito mais importante do que a maior parte das pessoas suspeita. E se impacta o dia a dia de todas as pessoas, vai impactar a empresa.
Estima-se que mais de 80% da informação que um ser humano recebe é visual – e nesse número não está incluído o conteúdo que lemos. Portanto, por mais que sejamos tagarelas e tendamos a acreditar que o que importa mesmo é o que falamos, a quase totalidade da comunicação entre as pessoas acontece de forma não-verbal. Pode parecer assustador a princípio, mas é assim que todos vivem, todos os dias, dentro e fora da empresa, quer saibam ou não (com a evidente exceção das pessoas com deficiência visual).
O não-verbal não é uma crença, nem um monstro: é um fato. O melhor que se pode fazer a respeito é percebê-lo mais claramente e entendê-lo, para poder lidar melhor com ele e incorporá-lo mais conscientemente ao nosso repertório de comunicação individual. Ocorre que nossos ancestrais viviam na natureza selvagem e muitas vezes inóspita, em que ver e agir era fundamental à sobrevivência: para caçar a refeição do dia, fugir de um animal predador ou enfrentar a tribo inimiga, entre outras possibilidades.
Como continuamos pertencendo à espécie dos nossos ancestrais, e o objetivo prioritário de toda espécie é sobreviver e se reproduzir, herdamos deles esse aparato sensorial que a biologia evolutiva desenvolveu para nos manter vivos na selva (ou qualquer outro nome que se queira dar à natureza intocada). Nosso corpo, em certa medida, não sabe que moramos na cidade: o processamento de informações visuais continua sendo muito mais rápido que a compreensão do discurso articulado – que, claro, tem o seu valor.
A comprovação é matemática: as contrações musculares que demonstram em nosso rosto as emoções que estamos sentindo – e as emoções são universais, mesmo que os gatilhos para elas sejam diferentes em cada cultura – são percebidas pelo interlocutor em apenas 1/10 se segundo. Já o tempo necessário para falar algo coerente, por mais curta que seja a palavra e rápido o falante, durará muito mais que isso. Na interação presencial, as intenções e emoções do outro são percebidas muito antes de qualquer palavra, e em grande medida é essa percepção que define as relações.
Como isso se reflete na empresa? Da mesma forma que em qualquer outro contexto social. Quanto menos nós olhamos, menos percebemos o que está realmente acontecendo na interação, menor é a chance de uma colaboração produtiva e maior a de um desentendimento destrutivo. O excesso de exposição a telas trazido pelo mundo digital veio para complicar o quadro. Já é clássico o exemplo da família que almoça à mesma mesa de um restaurante, mas com as pessoas olhando cada uma para tela do próprio smartphone, e não umas para as outras. Por algum tempo, o uso de máscaras – ainda necessário – será outra barreira visual.
Sendo tanto a expressão de emoções no rosto quanto a capacidade para percebê-las próprios à nossa espécie, ao ignorá-las, reduzi-las ou anestesiá-las estamos nos tornando menos humanos. É um efeito grave, que precisa ser equacionado para aumentar nosso bem-estar, nossa qualidade de vida e, talvez, a própria sobrevivência da nossa espécie. Quando especialistas em recursos humanos, psicólogos e consultores de todos os tipos falam da necessidade de desenvolver em equipes e empresas a famosa capacidade de relacionamento interpessoal, podem até não saber (os melhores sabem), mas estão validando a importância do olhar.
O empreendedor que deseja utilizar essa informação valiosa para melhorar a gestão de pessoas em sua empresa pode tentar lançar mão de estratégias que favoreçam a interação presencial dos colaboradores, frente a frente*, sem a interferência de telas digitais e suas infinitas notificações sonoras. Pode ser de forma dirigida, numa dinâmica elaborada por especialistas, mas também de modo mais orgânico e intuitivo – ou seja, simplesmente estimulando o diálogo atento e atencioso entre as pessoas (provável base para muitas iniciativas, válidas, na linha “café com o presidente”).
Tudo indica que, quanto mais os colaboradores se olharem, mais transparente será a relação entre eles (concordâncias e divergências) e mais consistentes as bases para medidas efetivas da liderança. Parece irônico, mas é preciso voltar a olhar atentamente para o outro para se lembrar, bem, que ele – e nós – somos humanos.
* Observadas todas as medidas de segurança contra a Covid-19.
NOVEMBRO AZUL: Todos contra o câncer de próstata
Nem todo mundo sabe o que é e qual a função da próstata, que faz parte exclusivamente da anatomia masculina (como os ovários são exclusividade feminina). Trata-se de uma glândula do sistema reprodutor do homem: tem cerca de 20 gramas, formato semelhante ao de uma castanha e localiza-se abaixo da bexiga. Sua função é produzir parte das secreções que compõem o sêmen (ou esperma).
Novembro Azul é derivado de um movimento que surgiu na Austrália, em 2003, e que acontece nesse mês porque 17 de novembro é o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata. Hoje, tornou-se uma campanha anual realizada com o objetivo de alertar a sociedade sobre o diagnóstico precoce do câncer de próstata, uma doença grave e silenciosa, que evolui lentamente e quase sempre só provoca sintomas quando está em estágio avançado.
Segundo o INCA – Instituto Nacional do Câncer, em 2021 devem ser diagnosticados 65 mil casos de câncer de próstata no Brasil e a cada 38 minutos um homem morre em decorrência da doença no país. Mas as estatísticas também indicam que, quando há o diagnóstico precoce, as chances de cura são de 90%. A melhor forma de identificar logo o surgimento da doença é realizar uma combinação entre um exame de sangue (PSA) e o toque retal.
É muito importante entender e aceitar que esses dois exames são complementares, tanto porque o PSA pode estar alterado por outros problemas da próstata não relacionados a um câncer quanto por ser possível que o exame de sangue esteja normal e mesmo assim haja um câncer. Cerca de 20% dos casos são diagnosticados somente na realização do exame de toque retal. Em nome da própria saúde, os homens precisam aprender a desvincular esse exame rápido (30s a 60s) de qualquer associação com sua orientação sexual.
Homens com 45 anos e fatores de risco – como casos em homens da mesma família com menos 60 anos e cor negra (a doença é mais frequente em homens negros), entre outros – precisam realizar o exame de PSA e o toque retal regularmente a partir dessa idade. Homens com 50 anos ou mais, mesmo quando não há fatores de risco, devem procurar um médico, preferencialmente um urologista, para realizar os dois exames regularmente. Em ambos os casos, a frequência ideal será definida pelo médico.
O tratamento do câncer de próstata depende do estágio da doença, da idade do paciente e de seu estado de saúde. As abordagens mais comuns são a extração cirúrgica da glândula, a radioterapia e a terapia hormonal, isoladamente ou combinadas. O tratamento precisa ser sempre individualizado, e de acordo com o tipo de câncer e a idade do paciente existe a possibilidade de fazer a chamada vigilância ativa, em que apenas se monitora a doença para fazer alguma intervenção quando, e se, necessário.
Embora não esteja totalmente comprovado, alguns especialistas acreditam haver relação entre uma menor incidência do câncer de próstata, e de formas mais graves da doença, e um estilo de vida mais saudável – que é sabidamente uma boa forma de evitar várias doenças. Por isso, além do cuidado permanente com a saúde da próstata, o homem pode se cuidar incorporando ao seu dia a dia uma alimentação saudável e equilibrada, atividade física regular, combate ao excesso de peso, ao tabagismo, ao excesso de álcool.
Neste mês dedicado ao combate contra o câncer de próstata, informe-se, mobilize-se, supere o preconceito – ou estimule os homens que conhece a superá-lo. O diagnóstico precoce salva vidas.
Fontes:
https://bvsms.saude.gov.br
https://www.inca.gov.br/assuntos/cancer-de-prostata
https://mundoeducacao.uol.com.br/datas-comemorativas/novembro-azul.htm
http://www.oncoguia.org.br
https://www.saopaulo.sp.gov.br/novembro-azul
https://www.uol.com.br/vivabem
Feriadão: use como remédio antistress.
Estresse (grafia oficial em português da palavra que chegou a terras brasileiras a partir de sua versão em inglês, stress) é uma reação natural do organismo que ocorre quando vivenciamos situações de perigo ou ameaça. Esse mecanismo nos coloca em estado de alerta ou alarme, provocando alterações físicas e emocionais. Trata-se de uma reação fisiológica/biológica necessária para a adaptação a situações novas – todos sabem que emoções estressantes podem estar associadas simplesmente a circunstâncias desconhecidas.
O corpo humano reage ao estresse produzindo diferentes hormônios, mas a marca que os cientistas mais costumam buscar para detectá-lo é o nível de cortisol. O cortisol é indispensável para a vida, porque a tensão que produz predispõe o organismo a reagir rapidamente diante de situações de alerta. Mas a melhora na capacidade de reação se limita a momentos pontuais. Se o nível se mantém elevado por muito tempo, porque o estresse é crônico, a resposta hormonal deixa de ser benéfica e se torna um problema.
Ao analisar imagens obtidas com equipamentos de ressonância magnética e realizar testes cognitivos nas pessoas pesquisadas para avaliar sua memória, capacidade de raciocínio abstrato, percepção visual, atenção e a chamada “função executiva” (combinação de diferentes habilidades para alcançar metas futuras), cientistas detectaram danos na microestrutura do cérebro possivelmente relacionadas ao estresse prolongado.
Entre as faculdades prejudicadas, destaca-se a memória, o que não é novidade: episódios de estresse já há algum tempo são associados à menor capacidade de “acessar” lembranças. Até agora, a possibilidade de danos estruturais permanentes ao cérebro serem provocadas pelo estresse excessivo – ou, ao contrário, provocá-lo – continua sendo uma hipótese, mas vale dizer que outros estudos, ainda raros, parecem apontar na mesma direção.
Por enquanto, o mais produtivo é ter em mente que o estresse é inevitável, inclusive desejável para ativarmos em nós ações necessárias para certas situações que exigem atuar rapidamente. Mas, também, que do ponto de vista evolutivo nosso organismo está adaptado a um contexto de vida em ambiente natural, no qual esses momentos eram pontuais.
No contexto urbano, industrial, competitivo e de imprevisibilidade, a tensão crônica favorece o comprometimento cognitivo, o surgimento de doenças cardiovasculares e ativa respostas contraproducentes do sistema imune, entre outros problemas.
Uma boa notícia: por mais que o estresse e sua cascata química sejam inevitáveis, podemos regulá-los. A “desconexão”, em atividades como viagens, interações relaxantes e agradáveis com família e amigos, tempo para diversão, como ir ao cinema, ao teatro etc., nos ajudam a reduzir a tensão. Existem também muitas técnicas a que podemos recorrer, entre elas o já famoso mindfulness, prática que embora seja uma espécie de “moda” tem efeitos reais quando bem orientada e executada.
Em outras palavras, apesar de infinitas discussões e diversas contestações de natureza econômica, talvez seja fundamental que boa parte de nós, que vivemos constantemente acelerados, para não sucumbir sob o o estresse excessivo possamos desfrutar, ao menos de vez em quando, de um desestressante feriado prolongado.
Desejamos que você aproveite bem o seu.
Fontes:
https://bvsms.saude.gov.br/
https://brasil.elpais.com/noticias/estres/
Digital: use com moderação
Até pouco tempo atrás, havia dúvidas se o excesso de exposição digital tinha mais efeitos benéficos ou nocivos sobre a atenção e a inteligência humanas. À medida que o universo digital se torna onipresente na nossa vida, pesquisas sobre o tema avançam e já existem conclusões quase consensuais entre os especialistas.
É certo que a existência, a influência e o poder das novas mídias e tecnologias são irreversíveis, e ninguém nem imagina, a sério, voltar a um tempo em que a interconectividade de tudo não existia, e por isso tanto o acesso ao conhecimento quanto a possibilidade de manifestação eram restritos a poucos. Mas é também inegável que a hiperestimulação simultânea e multiplataforma compromete aspectos importantes para a produtividade e até para a saúde mental.
O primeiro aspecto, que profissionais de educação e comunicação já intuíam e agora estudos com rigor científico vêm demonstrando, é o que pode ser chamado de dificuldade de elaboração. Por exemplo: ao acessar a Internet num smartphone, como os estímulos são incessantes, múltiplos e rápidos, induz-se o usuário a mudar de foco o tempo todo, desestimulando a “demora” necessária para a compreensão mais profunda de um conteúdo, especialmente os que exigem raciocínios mais complexos.
Um segundo aspecto, pouco discutido, mas tecnicamente comprovado, é que o olho humano se acomoda melhor à luz refletida (como nas páginas de um livro) do que à luz emitida (como na tela de um computador ou smartphone), e isso tem influência tanto no conforto e na velocidade da leitura (25% mais lenta no 2º caso) como na compreensão do que é lido.
Um terceiro e importantíssimo aspecto, principalmente no que se refere às crianças, mas não exclusivamente a elas: quanto mais uma pessoa troca o olhar presencial para outras pessoas – a percepção insubstituível das emoções e dos infinitos gestos e jeitos de corpo de quem está à nossa frente – mais se atrofia nela um mecanismo de interação que faz parte da própria natureza que nos faz humanos. Grande parte do que chamamos inteligência vem daí.
Nos primeiros 5 anos de vida, as implicações podem ser ainda mais profundas: estudos realizados nos EUA vêm demonstrando que, desde que existem os testes de QI (quociente de inteligência), pela primeira vez a pontuação das novas gerações (que já nasceram num mundo digital) ficam abaixo dos resultados alcançados pelas gerações anteriores. Podemos estar… emburrecendo.
Evidentemente, ninguém é contra os avanços da tecnologia em geral, do mundo digital em particular, e das fabulosas ferramentas que oferecem para a humanidade. Mas estudos confiáveis e a experiência diária, talvez para descolar olhos viciados, colados em telonas e telinhas, gritam cada vez mais alto: olhe para o ser humano mais, muito mais, e sempre primeiro.
Outubro Rosa | Todos contra o Câncer de Mama.
Junte-se a esta grande causa feminina: a saúde.
A saúde das mamas é vital para a qualidade de vida e a autoestima da mulher. A chance de um tumor maligno nunca pode ser subestimada. Ao contrário do que muita gente pensa, a mamografia regular é mais eficiente para um diagnóstico precoce do que o autoexame – que nem por isso deve ser dispensado. Caso a mulher observe qualquer alteração nas mamas, em qualquer momento da vida, deve procurar o serviço de saúde mais próximo imediatamente.
Outubro Rosa é uma campanha anual realizada mundialmente com o objetivo de alertar a sociedade sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama. Segundo o Instituto Oncoguia, 95% dos casos identificados em estágio inicial têm possibilidade de cura. A mamografia é imprescindível, por ser capaz de rastrear nódulos antes que sejam perceptíveis no autoexame realizado pela mulher e mesmo no exame clínico realizado por um profissional de saúde.
A genética é um fator muito importante a ser considerado na prevenção: se uma pessoa da família – principalmente a mãe, irmã ou filha – teve a doença antes dos 50 anos, a mulher tem mais chances de desenvolver um câncer de mama. Mulheres que já tiveram câncer em uma das mamas ou câncer de ovário, em qualquer idade, também devem ficar mais atentas. Essas pacientes de maior risco devem tomar cuidados extras, mais frequentes e mais cedo: exame clínico e mamografia 1 vez/ano já a partir dos 35 anos.
Na população em geral, quando não há fatores especiais de risco, toda mulher com 40 anos ou mais deve procurar um serviço de saúde para realizar o exame clínico das mamas anualmente. Se tiver entre 50 e 69 anos, a mulher deve fazer pelo menos uma mamografia a cada 2 anos. Muito importante: o serviço de saúde deve ser procurado mesmo que não existam sintomas, pois nos estágios iniciais a doença normalmente é assintomática.
Essas recomendações são baseadas em estudos estatísticos sobre a incidência da doença, considerando fatores como faixa etária e histórico familiar, entre outros, que são constantemente revistos pela ciência e pela medicina. Por isso, é preciso estar atento à atualização dos protocolos de prevenção e ter acompanhamento médico constante. Vários serviços direcionados à saúde da mulher são disponibilizados gratuitamente no SUS, entre eles a mamografia.
Além dessa vigilância permanente, a mulher também pode cuidar da própria saúde adotando uma alimentação saudável e equilibrada, praticando atividade física e evitando hábitos/vícios sabida e comprovadamente nocivos, como fumar (um só cigarro já faz mal!) e ingerir álcool em excesso. Tudo isso ajuda na prevenção de várias doenças, inclusive o câncer.
Neste mês dedicado ao combate contra o câncer de mama, informe-se, mobilize-se – e prometa-se cuidar da saúde o ano inteiro.
Fontes
https://www.roche.com.br/pt/por-dentro-da-roche/voce-sabe-o-que-e-outubro-rosa.html
http://www.oncoguia.org.br/
http://www.outubrorosa.org.br/
Nosso olhar também precisa de descanso.
De acordo com o relatório Digital in 2020, divulgado pelo We Are Social e Hootsuite, o tempo online dos brasileiros no primeiro ano da pandemia foi de 9h17min, muito acima da média global, de 6h43min. A análise é corroborada por dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que apontaram aumento de 40% a 50% do uso da internet no Brasil logo no início da quarentena.
Como consequência desse excesso, são comuns as sensações de exaustão e esgotamento e prejuízo de funções como atenção, concentração e memória. Tudo isso tem sido divulgado em múltiplas matérias nas mídias tradicionais e digitais e já falamos do tema aqui.
Mas um aspecto abordado com menor frequência e nem sempre com a mesma ênfase é a saúde ocular. O excesso de telas, muitíssimo ampliado pela pandemia – com a adoção definitiva ou temporária em grande escala do home-office e seus já conhecidos exageros – também tem efeitos diretos sobre visão.
A explicação é tão óbvia quanto verdadeira, e chega a ser singela: a concentração visual por muitas horas diminui o número de piscadas, deixando os olhos ressecados. Ou seja, a lágrima não derramada (que umedece regularmente o olho, mantendo-o lubrificado) também tem de ser levada em conta na pandemia. No pior dos cenários, a pessoa desenvolve a chamada doença da superfície ocular, que pode gerar danos severos se não tratada a tempo.
Nem é preciso dizer que isso comprometeria não só a qualidade de vida da pessoa, mas também sua atividade profissional, numa daquelas convergências inevitáveis e até desejáveis em que cuidar da saúde do indivíduo também é cuidar da “saúde” da empresa. Se a pessoa já estiver com os olhos vermelhos, lacrimejando, sentindo ardência ocular, dificuldade para focalizar, dor de cabeça ou dor nos próprios olhos, é hora de procurar atendimento médica.
Mas no dia a dia, é possível tomar alguns cuidados preventivos, como dar um intervalo de descanso para os olhos a cada 50 minutos (olhar para um ponto distante ou movimentar-se ao longo dos espaços disponíveis), manter a iluminação do ambiente maior do que a que sai da tela, ajustar o brilho do dispositivo de acordo com o ambiente e o horário, entre outros.
E, claro, não se forçar – nem forçar o colaborador, sob pretexto nenhum – a olhar excessivamente para qualquer tela.
Fonte
Drauzio Varella
A diversidade influencia seu ambiente corporativo?
Toda empresa disposta a ter um impacto positivo na vida das pessoas e oferecer um bom ambiente de trabalho precisa estar conectada com seu próprio tempo, com o presente, com as percepções, anseios e demandas legítimos da sociedade em que está inserida, e em meio à qual atua. Isso é importante para a “saúde emocional corporativa”.
Uma das demandas mais presentes atualmente é o reconhecimento da existência, a promoção e a valorização da diversidade – com todos os inúmeros aspectos que este conceito pode abranger. Empresas que concordam com esta demanda acreditam que uma equipe diversa, com pessoas de diferentes perfis e histórias de vida, resulta em um ambiente de trabalho mais inclusivo, plural e inovador, contribuindo efetivamente para o negócio.
Mas o verdadeiro respeito à diversidade vai além das necessidades do negócio. É, antes de tudo, uma visão sobre as pessoas, uma questão de se a empresa realmente se importa com elas, se acredita que uma de suas responsabilidades é contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
A resposta parece simples: sim, uma empresa sintonizada com seu tempo tem e assume essa responsabilidade, exatamente porque a sociedade que ajuda a construir – e também a que reflete “da porta para dentro” – é a mesma com que terá de lidar ao comercializar seus produtos e serviços.
Se todas as pessoas são diversas, todos somos singulares, e tudo que cada pessoa pode agregar à comunidade – inclusive a uma empresa – é único. Como se sabe, o que é único, por ser raro, quase sempre é valioso. Mas por mais que consideremos nossa sociedade desenvolvida, civilizada, evoluída, nela persistem conceitos e preconceitos que provocam prejuízo profissional e pessoal, além de sofrimento emocional, em quem é atingido por eles.
Houve tempo em que a expressão e a manifestação desses conceitos eram bem menos visíveis e até mais toleradas, às vezes silenciosamente, pela sociedade. Mas o mundo está em constante evolução, e com a explosão dos meios de comunicação, marcadamente os digitais, ampliou-se a percepção de que todos os seres humanos são dignos de respeito. É um avanço.
Existem, claro, grandes debates acadêmicos e não acadêmicos sobre o tema, grande parte deles – talvez a maioria – marcada por extremismos ideológicos que, em vez de aproximar e unir as pessoas, reforçam o antagonismo entre grupos diferentes, a ponto de estimular e até mesmo gerar violência, infelizmente não só verbal.
A repercussão tem sido tanta que há tempos o assunto saiu das bolhas da Internet, entrou na pauta de grandes veículos de comunicação e, não raramente, confunde quem, de boa vontade, tenta aprender a lidar com essas questões de modo mais lúcido e moderado. É uma preocupação crescente entre os gestores, até porque muitas empresas têm desenvolvido políticas internas oficiais de diversidade e inclusão, em parte por medo de represálias, em parte para se mostrarem conectadas com a causa – com frequência, artificialmente.
Um líder que deseje legitimamente abraçar a diversidade em sua empresa precisará necessariamente estudar muito, conduzir-se com cautela, desconfiar de todas as ideologias e filtrar as várias tentativas dos radicais de consertar as injustiças do mundo por meio da culpabilização de quase todos que expressam uma opinião divergente. A prática parece ter revelado que isso é capaz de piorar o problema.
Certamente não é possível, e talvez nem seja desejável, promover a diversidade tentando reproduzir na empresa exatamente a composição étnica, de homens e mulheres, de faixas etárias, orientações sexuais, características físicas e infinitas outras possibilidades de “classificar gente” que existem na sociedade.
Provavelmente, o caminho mais saudável e produtivo é exatamente o inverso: pensar na diversidade como o ato de acolher e valorizar cada indivíduo pelo que pode oferecer, como profissional e como pessoa, independente dessas vagas e insuficientes classificações. Parece ser um bom começo para um líder iniciante no tema.
Fonte
www.sanofi.com.br
Burnout existe?
No passado recente, uma conhecida jornalista da maior rede de televisão do país saiu do ar – e depois da empresa – alegando ter a síndrome de burnout (ou Burnout, com inicial maiúscula). Na época, como ainda hoje, muitas pessoas classificam o quadro como “mimimi”, reclamação infundada de alguém que não é suficientemente competitivo, incompetência mascarada ou simplesmente algum tipo de malandragem para trabalhar menos.
Essas pessoas estão enganadas: a síndrome existe, pode ser grave e desestruturar seriamente, às vezes para sempre, a vida e a carreira de quem a apresenta. Uma busca rápida na Internet demonstra que a existência e gravidade do problema são praticamente consensuais entre os profissionais de saúde, inclusive alguns bem famosos. Sem contar que está descrito na literatura especializada e registrado na CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde).
“Burnout” pode ser livremente traduzido como “totalmente consumido”: algo ou alguém que gastou todo seu combustível ou sua energia. Em outras palavras, esgotamento total. O transtorno é caracterizado por um estresse devastador, extremo, superior à capacidade pessoal de lidar com questões do dia a dia de modo eficiente e… está relacionado exclusivamente ao trabalho.
Profissionais que atuam diariamente e por tempo prolongado sob pressão e com responsabilidades constantes estão mais propensos a apresentar a síndrome: médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas etc. Os sinais e sintomas são tanto psicológicos e emocionais como físicos. Entre os principais, estão:
– Cansaço excessivo, físico e mental;
– Dor de cabeça frequente;
– Alterações no apetite;
– Insônia;
– Dificuldade de concentração;
– Sentimento de fracasso, insegurança;
– Negatividade constante e desesperança;
– Alterações repentinas de humor;
– Isolamento;
– Alteração da frequência cardíaca;
– Aumento da pressão arterial;
– Dores musculares;
– Problemas gastrointestinais.
Ao ver essa lista, muita gente pode pensar: “então eu já tive ou tenho Burnout”. Mas esse raciocínio não é correto. Apenas um desses sintomas, ou a ausência de algum deles, não caracteriza ou descaracteriza a síndrome. É preciso levar em consideração diversos fatores, como há quanto tempo se apresentam, como evoluíram e as circunstâncias de vida do paciente. O diagnóstico precisa ser feito por um profissional especializado – normalmente um psicólogo e/ou psiquiatra – que também conduzirá o tratamento.
A primeira frente de tratamento costuma ser a psicoterapia, mas dependendo da severidade do quadro pode ser necessária a prescrição de medicamentos, como antidepressivos e ansiolíticos. Normalmente, a melhora se apresenta entre 1 e 3 meses, mas, claro, o ritmo é muito individual. Durante e depois, é fundamental que o ritmo de trabalho e o envolvimento com a atividade profissional sejam reavaliados e adequados de modo a manter o bem-estar do paciente.
Pode parecer estranho, mas também é possível prevenir a síndrome de burnout. Como? Deixando de ver o trabalho como um objetivo em si mesmo e incluindo definitivamente na vida (com o valor que merecem) atividades como a convivência com amigos e familiares, relaxamento, lazer, atividade física regular. O que, aliás, parece ser uma postura de vida de grande eficiência preventiva para promover e manter a saúde de todos nós, seres humanos.
Fontes:
http://antigo.saude.gov.br
https://www.uol.com.br/vivabem
https://www.tuasaude.com











